Ed.177 | 28 de abril de 2026

Institucional

Crédito: Freepik

Resiliência Hídrica e Mudança Climática: O Compromisso da Copasa com o Futuro de Minas

As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção estatística e se tornaram um desafio operacional e ético imediato. Em Minas Gerais, os cenários de 2024 e do início de 2025 foram emblemáticos: vivemos uma estiagem severa de seis meses, seguida por volumes de chuva concentrados que romperam médias históricas. Essa alternância drástica entre estresse hídrico e excesso pluvial exige das companhias de saneamento uma nova postura, pautada na resiliência e na adaptação estratégica. Ao assumir a presidência da Copasa, trago a convicção, moldada por décadas no Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SISEMA), de que a gestão do saneamento no século XXI é a gestão da variabilidade climática.

O Novo Marco Legal nos impõe a meta da universalização até 2033, mas universalizar sob a ótica da segurança hídrica exige garantia de oferta constante e sistemas resilientes. Minha trajetória na gestão de bacias, especialmente na presidência do Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul - CEIVAP, consolidou a percepção de que a água não conhece fronteiras e o saneamento deve respeitar a lógica ecossistêmica para ser perene. Essa estratégia materializa-se em mediar conflitos pelo uso da água e coordenar ações integradas entre diferentes estados e setores, é um ativo que agora aplico à Copasa.

Entendo que o saneamento deve ser planejado dentro da lógica da bacia, respeitando a capacidade de suporte dos mananciais e promovendo a recuperação ambiental como estratégia de infraestrutura natural. A resiliência que buscamos para os sistemas de abastecimento de Minas depende diretamente dessa integração entre a operação da companhia e a preservação do ecossistema que nos provê o recurso.

Antecipar impactos é o que separa a continuidade do serviço do colapso sistêmico. Em um cenário de escassez, cada gota recuperada é resiliência adicional. A sustentabilidade não é um acessório, mas a base da viabilidade econômica no setor de saneamento. Ao protegermos nossos recursos hoje, garantimos que a universalização em Minas seja resiliente e sustentável para as futuras gerações.

Artigo de Marília Carvalho de Melo, ex-presidente do CEIVAP.


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